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Nilson da Nova Brasília 

QUANDO OS FILHOS VIRAM MUNIÇÃO.

3:07 PM, 28.6.2009  ..  Link
Falar mal, boicotar visitas e difi.ltar telefonemas estão entre as estrat&ea.te;gias . Foi-se o tempo em que ter pais divorciados era motivo de discriminação. Hoje essa estrutura familiar &ea.te; comum e crianças e adolescentes levam uma vida normal tendo os pais morando sob tetos diferentes. Mas nem todos são felizes .im. Muitos ainda sofrem com as separações mal resolvidas e a atitude irracional do progenitor que det&ea.te;m a guarda - em 91,3% dos casos, a mãe - de afastar e, .im, apagar a imagem do companheiro, fazendo dele um fantasma para os filhos. O que durante anos foi visto como "pi.inha de casal" tem um efeito cruel e hoje &ea.te; tratado como a s&ia.te;ndrome da alienação parental. O termo foi .nhado pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner, em 1985, para descrever o processo em que o filho &ea.te; utilizado como instrumento de vingança. O diretor carioca Alan Minas fez da pr&oa.te;pria experiência a mat&ea.te;ria-prima para o filme do.ment&aa.te;rio "A Morte Inventada", depois de se deparar com muita desinformação e insensibilidade diante da situação. Durante a produção do do.ment&aa.te;rio, o que mais impressionou Alan foi a facilidade em encontrar pessoas que sofreram com a alienação parental. "O que me motivou foi o sentimento de injustiça. Todo mundo tinha uma hist&oa.te;ria para contar, uma hist&oa.te;ria que, na verdade, &ea.te; um crime porque você mata algu&ea.te;m da vida do outro", compara o diretor. A publicit&aa.te;ria Rafaella Leme, 29, foi uma das pessoas que decidiu contar a pr&oa.te;pria experiência no do.ment&aa.te;rio. "Cresci ouvindo que meu pai era um canalha, que não ligava pra gente, que não nos amava... Minha mãe sempre falava dele como se ele fosse um monstro. Cresci tendo raiva dele", conta Rafaella. Inevitavelmente, ela e o irmão mais novo tomaram partido da mãe. "Eu sentia .lpa por achar divertido sair com ele. Era como se eu estivesse traindo a minha mãe por gostar de estar com meu pai. Mesmo sendo bom, a gente sempre chegava em casa dizendo que tinha sido p&ea.te;ssimo, super chato", lembra Rafaella. Durante 11 anos, ela ficou sem vê-lo, mas, apesar disso, mantinha boas lembranças dos p.eios, parques e dos dias que p.avam juntos. "S&oa.te; depois que fui pro.r&aa.te;-lo comecei a tapar esse buraco. Para minha sorte, ele não me pareceu um estranho, era o meu pai que estava ali", conta. Rafaella não tem raiva da mãe e acha que ela não tem consciência do mal que fez aos filhos, mas sabe identificar exatamente os efeitos da falta de um pai. "Tenho muitos problemas at&ea.te; hoje. Nos meus relacionamentos, sempre pro.rei uma figura paterna, um protetor. Hoje estou casada e meu maior medo &ea.te; viver uma separação e repetir com meu filho o que sofri, us&aa.te;-lo dessa maneira", diz a publicit&aa.te;ria. Padrão. Segundo especialistas, a alienação parental segue um mesmo padrão de comportamento: começa com um dos genitores falando mal do outro, os encontros começam a ser boicotados, outros programas são feitos no dia de visitação e, o que tem sido cada dia mais frequente, o pai &ea.te; a.. de abuso .ual para que as visitas sejam imediatamente suspensas pela Justiça. Foi o que aconteceu com Ricardo Castro, pai de J.C, 10, que lutou durante sete anos para provar sua inocência e, na &ua.te;ltima terça-feira, recebeu a sentença favor&aa.te;vel em segunda instância. Quando se separou da mulher, a filha tinha pouco mais de 1 ano e ficou decidido que o tempo de permanência com a menina seria aumentado gradativamente na medida em que ela adquirisse autonomia. A.sação fatal. Pouco antes de ela completar 4 anos - o que lhe daria o direito de p.ar todo o final de semana com a filha - Ricardo recebeu um do.mento da Vara da Infância suspendendo as visitas. O motivo: a.sação de abuso .ual. Ap&oa.te;s três meses, foi apresentado um laudo negando o abuso, mas foram necess&aa.te;rios anos de dis. judicial para que Ricardo retom.e o contato com a filha, hoje com 10 anos. "Durante esse tempo, a mãe usou re.rsos, agravos, medidas protelat&oa.te;rias. No final, ela conseguiu o que queria: me afastar da minha filha. Este ano tive cinco encontros de 40 minutos com ela dentro do F&oa.te;rum; isso com a mãe, o padrasto e a av&oa.te; do lado de fora da sala. Então &ea.te; isso, tenho uma vit&oa.te;ria na Justiça, mas, na pr&aa.te;tica, existe uma enorme difi.ldade de me relacionar com minha filha. Tenho u. esse tempo para tirar a falsa mem&oa.te;ria criada pela mãe e resgatar a mem&oa.te;ria verdadeira", conta Ricardo. CI&Ua.te;MES- Tales Lacerda, 36, &ea.te; pai de dois meninos e tamb&ea.te;m sofre com as sucessivas tentativas da ex-mulher de desconstruir a imagem do pai perante os filhos. Segundo ele, a iniciativa da separação foi dele e, a partir do momento em que começou a namorar, sua vida "virou um inferno". "Ela fala para os meninos que eu abandonei a fam&ia.te;lia, que não gosto deles. Eles não podem falar nada sobre mim que ela ameaça bater neles e, se eles quiserem me telefonar, tem que ser a cobrar. Ela faz tudo para difi.ltar", conta Tales. Para ele, a ex-mulher usa os filhos como um instrumento de poder e se sente tranquila em fazer isso pois aposta que nunca lhe acontecer&aa.te; nada. Tales diz que não imaginava que a mãe de seus filhos deix.e de levar em conta o que &ea.te; o melhor para as crianças. Por isso, decidiu entrar com um processo pedindo a guarda compartilhada. "A dis. &ea.te; desigual porque tenho muito pouco tempo para desfazer o que ela faz. Por isso quero a guarda compartilhada", diz Tales.         faça  o  seu  coment&aa.te;rio.



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